sexta-feira, setembro 14, 2007
Comissão terapêutica de hospital recusa fármaco inovador a doente com cancro
A Ordem dos Médicos (OM) recebeu uma queixa de um clínico a quem a comissão de farmácia e terapêutica do seu hospital recusou a prescrição de um medicamento inovador a um doente com cancro. É a primeira denúncia formal deste tipo a dar entrada na OM, adiantou ao PÚBLICO o presidente do colégio de oncologia da Ordem, Jorge Espírito Santo, que acredita, porém, que outras denúncias deverão surgir entretanto porque a restrição à aquisição de alguns fármacos inovadores "começa a generalizar-se".
Sem querer adiantar qual é o hospital em causa, Jorge Espírito Santo explicou que o médico pretendia prescrever um antineoplásico a um doente com cancro, um fármaco já autorizado e usado em várias unidades de saúde, mas a comissão de farmácia rejeitou o pedido, apesar de o ter permitido para outro paciente nas mesmas circunstâncias. Um tratamento com este medicamento fica por 2500 a 3000 euros por mês.
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quarta-feira, junho 06, 2007
Esclerose múltipla deve beneficiar de financiamento similar ao da sida
A esclerose múltipla deve beneficiar de financiamento público similar ao adoptado para os doentes com VIH/Sida, defendeu hoje o presidente da Entidade Reguladora da Saúde (ERS), Álvaro Almeida.
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É por isso que a ERS propõe que o tratamento da esclerose múltipla seja financiado, tal como o da sida, em que os hospitais recebem "um valor fixo por cada doente", explica Álvaro Almeida.
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terça-feira, junho 05, 2007
Hospitais gastaram quase 250 milhões em medicamentos nos primeiros 4 meses do ano
Os hospitais do Serviço Nacional de Saúde gastaram quase 250 milhões de euros em medicamentos nos primeiros quatro meses do ano, tendo-se registado em Abril um decréscimo de 11,3 por cento no consumo, segundo dados divulgados hoje pelo Infarmed.
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quinta-feira, maio 24, 2007
Governo trava hemorragia financeira na Saúde
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O terror para os últimos ministros da pasta da Saúde - e também dos titulares das Finanças - são as compras com os medicamentos. Aqui parecem existirem sinais de "garrote" financeiro. Nas compras de produtos farmacêuticos para consumo hospitalar e em "material de consumo clínico", foram escoados 69 milhões de euros, um aumento de dois milhões de euros em comparação com o ano passado.
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terça-feira, maio 01, 2007
Hospital de Santa Maria acusado de impor medicamento a doentes com esclerose
A Sociedade Portuguesa de Esclerose Múltipla acusou hoje o Hospital de Santa Maria de substituir o medicamento habitual nestes doentes por outro mais barato, impondo-o mesmo a pacientes que se sentem mal com ele, acusação negada pelo hospital.
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domingo, abril 22, 2007
Brasil e Argentina criarão "pólo farmacêutico"
O ministro da saúde da Argentina, Ginés González García, assegurou, no final da tarde de sexta-feira (20/04), que acordos com o Brasil permitirão criar um "pólo farmacêutico" para produzir remédios contra a Aids. A estimativa é de uma economia anual de US$ 100 milhões. Além disso, a Argentina continuará promovendo "todas as ações" para fazer com que o preço dos remédios caia, declarou Ginés Gonzáles García a jornalistas que cobriam o IV Fórum Latino-americano e do Caribe sobre HIV/Aids, que terminou nesta sexta-feira (20/04) em Buenos Aires, capital argentina.
"Vamos continuar trabalhando com os países latino-americanos na negociação de preços com os laboratórios e empreendendo esforços na fabricação própria de remédios", afirmou o ministro argentino. "Com o Brasil somos os maiores compradores mundiais de remédios (contra a Aids), porque em nossos países o Estado cumpre um papel que em outros países não tem", destacou García.
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González García considerou "uma extorsão à democracia" a decisão de um juiz de Buenos Aires a favor de um laboratório estrangeiro para que se proíba a fabricação e comercialização de um remédio contra a Aids (no meio de uma disputa por patentes).
"Aqui se estão defendendo os direitos de um laboratório e não os do resto, que são os mais fracos", disse Ginés González García, depois de indicar que a decisão judicial obriga o Estado a comprar o remédio em questão "do monopólio da empresa que usou um quebra-galho" legal. "Isto é muito mais que uma questão de mercado, é uma questão das sociedades contemporâneas perante a maior epidemia do mundo moderno", ressaltou o ministro.
Brasil vai produzir efavirenze genérico
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Liberado para ser consumido com outros remédios contra o vírus da Aids em 1998, o produto deve ser fabricado pelo Instituto de Tecnologia em Fármacos da Fiocruz (Farmanguinhos), no Rio de Janeiro, e pelo laboratório pernambucano a partir de julho de 2008. Até lá, as equipes das duas unidades trabalharão no projeto de pesquisa para desenvolver o medicamento.
Atualmente o Efavirenz é fabricado por uma empresa multinacional e faz parte da cesta de medicamentos contra a Aids do Ministério da Saúde. Com a produção pelo Lafepe e Fiocruz haverá uma redução de 40 a 45% no custo do medicamento para o Ministério da Saúde.
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Mercado da sida não pára de crescer
Pharmalot 12.04.07
April 12, 2007
AIDS Market To Mushroom
The launch of new drugs and an increase in the number of people
diagnosed with HIV is set to make AIDS medicine a $10.6 billion market
by 2015, according to a Datamonitor report. That would be a significant
increase from about $7.1 billion in 2005.
For drugmakers, this brings good and bad news. Big pharma may be under
pressure to cut prices in the developing world, but selling HIV drugs in
the West remains a lucrative and fast-growing business. The research
firm says sales growth will come from new drugs with novel mechanisms
and next-generation versions of existing meds.
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Reuters 12.04.07:
Sales, as a result, should rise significantly from about $7.1 billion in
2005, benefiting a clutch of companies with promising new products,
including Merck & Co Inc. (NYSE:MRK), Pfizer Inc. (NYSE:PFE, Gilead
Sciences Inc. (NasdaqGS:GILD) and Johnson & Johnson (NYSE:JNJ).
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But at the same time the disease is also increasing in the developed
world, with an estimated 2.1 million people in North America and Western
Europe living with HIV in 2006, up from 1.9 million in 2004.
"Advances in antiretroviral therapy have turned HIV from a universally
feared death sentence into a chronic disease with an average life
expectancy similar to that of Type 2 diabetes," Datamonitor analyst
Mansi Shah said.
"Because of this, attitudes towards HIV have become relatively blase
amongst some groups."
Notable new types of drugs include Pfizer's maraviroc, a CCR5 inhibitor,
and Merck's raltegravir, an integrase inhibitor, which are expected to
be launched in 2007 and 2008 respectively.
They will complement new generation forms of existing drug classes, such
as Johnson & Johnson's recently approved Prezista, a protease inhibitor.
Such products offer new treatment options for the growing number of
patients whose disease no longer responds to existing drugs.
At the same time, other companies are developing improved fixed-dose
drug combinations, including Atripla from Gilead, which combines the
components of current drug cocktails into a single pill that can be
taken once a day.
Atripla was launched in the United States last year and is expected to
take market share from its two components Truvada and Sustiva, as well
as competitor drugs such as GlaxoSmithKline Plc's (LSE:GSK.L) Combivir,
Datamonitor said.
The global market for all pharmaceuticals grew 7 percent last year to
$643 billion, according to estimates from another market research
company, IMS Health, released last month.
Etiquetas: ARVs, atripla, custos, darunavir, maraviroc, raltegravir
quinta-feira, abril 19, 2007
Mais uma vez os antiretrovirais nas farmácias privadas - parte II
publicado em: "Acção e Tratamentos" - GAT, nº3, Março-Abril 2007
Parte I aqui
No último número do Acção & Tratamentos revisitámos as declarações do Sr. Ministro da Saúde e relembrámos alguns dos episódios mais recentes desta saga.
Enumerámos, também, alguns dos argumentos defendidos por várias individualidades a favor e contra esta medida. Por último chamámos a atenção para o que nos pareciam ser alguns erros graves na defesa feita pelo Sr. Ministro da dispensa e toma fraccionadas e assistidas.
Embora fosse interessante ainda analisar outras opiniões porque se achava que a anunciada medida se deveria ou não aplicar – que se faz lá fora, em países que souberam adaptar-se às mudanças da epidemia; que os hospitais públicos (alguns) fazem o acompanhamento – por telefone – da adesão; que o modelo da toma assistida de Metadona nas farmácias privadas é um sucesso – em relação às quais muito haveria a dizer pela pouca consistência com a realidade conhecida, terminamos hoje este artigo com algumas considerações que, não tendo sido aduzidas ao longo de todo a discussão nos parecem, no entanto, não podermos deixar de ter em consideração.
Relembremos, em primeiro lugar, que o próprio Estatuto do Medicamento recentemente aprovado dispõe que devem ser as circunstâncias necessárias para uma correcta utilização dos medicamentos e não outros factores, os principais determinantes do local onde os medicamentos devem ser dispensados.
Entre os múltiplos critérios que devem ser considerados relevantes para orientar a decisão quanto aos modelos de dispensa de medicamentos, identificam-se:
a) benefícios objectivos para o doente;
b) a necessidade de esquemas de acompanhamento por médico especialista;
c) mecanismos de monitorização e acompanhamento dos efeitos terapêuticos (e.g. comissões especializadas);
d) garantir a acessibilidade ao medicamento por aproximação geográfica do local de dispensa;
e) implicações económicas globais.
Em termos ideais, devemos ter apenas um interlocutor. No mesmo local o médico, o laboratório e a farmácia. Quanto maior dispersão pior, quer em termos clínicos, de vigilância e acompanhamento laboratorial, quer em termos pessoais.
É nosso parecer que não devem ser alterados quaisquer dos parâmetros da
Qualquer alteração avulso, mesmo em regime experimental, sem que tal avaliação tenha tido lugar, só virá aumentar o grau de ineficácia do sistema sem que estejam estudadas soluções integradas para as limitações actuais.
Em segundo lugar, muitas das iniciativas que se percebem das declarações do Sr. Ministro podem levar a sérias quebras de privacidade e da confidencialidade dos dados de saúde das pessoas com VIH ou SIDA. O respeito pela pessoa, pela sua privacidade e a confidencialidade dos dados pessoais sensíveis – para além de reconhecido constitucionalmente e nas declarações universais e europeia dos direitos das pessoas – é factor essencial na luta contra a discriminação e no sucesso da própria terapêutica, já para não falar na eficácia da prevenção.
Sobre este assunto remetemos o leitor para o editorial deste número.
De acordo com o relatório, de Dezembro de 2005, da Direcção de Economia do Medicamento e Produtos de Saúde do Observatório do Medicamento e Produtos de Saúde do Infarmed sobre a Despesa Hospitalar com Medicamentos Abrangidos pelos Regimes Especiais de Comparticipação, numa amostra de 28 dos, então, 91 Hospitais da rede do SNS hospitais que representavam perto de 73% da despesa total com medicamentos nos Hospitais do SNS, o custo de mediamentos antiretrovirais representou 73.466.178 euros no ano 2004 e 44.649.630 só no 1º semestre de 2005.
Estima-se que, em 2006, este valor se tenha situado entre os 100 e os 120 milhões de euros. E a tendência é sempre crescente quer pelo aumento de pessoas em tratamento – consequência da ineficácia da prevenção e do aumento de detecção de casos de infecção – quer pelo aumento dos preços dos medicamentos, nomeadamente dos chamados “novos” medicamentos, resultado da estrutura oligopolística do mercado, a legislação e os acordos internacionais sobre propriedade intelectual, a falta de iniciativa governamental sobre o Doha Round e, também, a falta de fiscalização e o deficiente controle dos preços praticados no nosso País.
Qualquer parcela, mesmo “simbólica” deste mercado representa um volume de negócio significativo. Não achamos que, como informa o Sr. Ministro, esta medida vá “prejudicar financeiramente as farmácias”.
quarta-feira, abril 18, 2007
Grandes grupos privados também podem entrar na central de compras
DN 17.04.07
A central de compras para os hospitais do Serviço Nacional de Saúde, ontem oficialmente criada, vai também integrar os grupos privados.
"Já tivemos contactos com um grande grupo. E é claro que também estamos disponíveis para os privados", explica Lourdes Hill, vogal da administração do Serviço de Utilização Comum dos Hospitais (SUCH) - a estrutura que criou aquela que é a primeira empresa para comprar, em conjunto, os medicamentos e outros bens utilizados nos hospitais.
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domingo, abril 08, 2007
Taxa média de adesão à terapêutica do VIH é baixa?
Já viram as taxas de outras doenças?
E os tais "90% necessários" são muito discutíveis. Esta porcentagem vem de estudos da era das combinações terapêuticas menos potentes e não-potenciadas.
A CNSIDA podia parar de espalhar estas insinuações culpabilizantes...
CNSIDA 02.04.07
A taxa de adesão à terapêutica dos doentes com infecção VIH/sida não chega ao limiar que garante a eficácia da medicação em termos de resposta virológica.
Segundo a tese de mestrado da Dra. Maria Ângela Ventura, da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, a taxa média de adesão é de 86,9% considerando-se o limiar de adesão nos 90%. O estudo avaliou a adesão terapêutica de 134 doentes das consultas de infecciologia do Hospital Joaquim Urbano entre 2002 e 2003.
Para a autora do estudo "a baixa adesão à terapêutica é crítica nestes doentes e a possibilidade da sua identificação obriga a que seja necessário repensar estratégias capazes de melhorar a adesão a longo prazo, contribuindo para a redução do desperdício".
O gasto médio anual por doente é de €7.590, pelo que se conclui que grande parte do gasto anual com esta medicação não teve qualquer resultado na saúde dos doentes.
["grande parte"? desperdício? sem qualquer resultado???
Esta conclusão é disparatada e discriminatória...]
O estudo adianta que 50,4% dos doentes terão sido infectados no decurso da utilização de drogas injectáveis e 49,6% terão sido infectados por via sexual.
Os baixos índices de adesão foram mais recorrentes nos mais jovens, nas mulheres e nos indivíduos oriundos das zonas urbanas. Nestes últimos predomina a transmissão por uso de drogas e nos doentes oriundos de zonas rurais a forma de transmissão da infecção deve-se ao contacto sexual desprotegido.
Etiquetas: adesão, ARVs, CNSIDA, custos
País gasta 15 vezes mais com terapêutica do que prevenção

Agora diz-se que 18.600 pessoas recebem terapêutica ARV em Portugal. Na região Lisboa-Vale do Tejo, uma em cada 200 pessoas estaria a tomar anti-retrovíricos...
DD 13.03.07
O ministro da Saúde defendeu hoje uma maior aposta na prevenção da infecção pelo Vírus da Imunodeficiência Adquirida (VIH) e lembrou que Portugal gasta quinze vezes mais com a terapêutica do que com a prevenção.
António Correia de Campos falava à Lusa no final da conferência europeia sobre Sida, promovida pela presidência alemã da União Europeia e a decorrer desde segunda-feira em Bremen.
Para o ministro, a conferência foi «muito positiva», principalmente pelo convite que foi formulado à indústria farmacêutica para «facilitar o acesso ao tratamento de uma forma sustentada».
António Correia de Campos destaca esta conclusão do encontro, uma vez que existem países que não conseguem pagar a elevada factura da despesa com medicamentos para o tratamento do VIH/SIDA. A necessidade de um acordo com a indústria farmacêutica foi pormenorizada por António Correia de Campos, que lembrou as enormes diferenças que existem entre alguns países com os gastos com a terapêutica.
A Rússia, a África do Sul e o Brasil gastam 500 euros anuais com cada doente que recebe terapêutica contra o VIH, enquanto outros países chegam a gastar 10 mil.
O Estado português sustenta, actualmente, todos os custos com os tratamentos para a doença, embora o ministro defenda um maior investimento na prevenção. «Gastamos quinze vezes mais com a terapêutica do que com a prevenção», disse o ministro, especificando que, anualmente, o Serviço Nacional de Saúde (SNS) gasta 13 milhões de euros com a prevenção, organização e apoio a organizações não governamentais envolvidas na área e 150 milhões com a terapêutica.
Correia de Campos frisou a importância desta porta que ficou aberta em Bremen para a negociação «país a país com a indústria farmacêutica».
O ministro destacou igualmente destes dois dias de debate o apelo à sociedade civil para que esta assuma um papel mais determinante na definição de estratégias de prevenção e combate da doença.
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Etiquetas: ARVs, Bremen, custos, prevenção