quarta-feira, outubro 19, 2005

Falta de medicamentos nos hospitais



Ontem, em reunião na sede da ERS, a direcção do GAT apresentou este sumário no seguimento da queixa apresentada em Julho:

1. Hospital Curry Cabral (segundo hospital em número de doentes VIH)
- Fuzeon (T-20), terapêutica de resgate: ainda não está disponível no hospital 2 anos depois da aprovação pelo INFARMED. O Director de Serviço afirma que não tem doentes com indicação para o T-20.
- Viread (tenofovir): as “orientações” internas do hospital só permitem para terapêutica de resgate, embora todas as orientações terapêuticas indicam para primeira linha (único hospital com esta restrição).
- Truvada (TDF+FTC): não disponível por razões administrativas.
- O hospital raramente participa em ensaios clínicos ou em programas de acesso alargado.
- Não há ninguém a fazer Tipranavir no programa de acesso alargado
- Prescrição não de acordo com as orientações actuais: há pessoas ainda em mono/bi-terapia mas o hospital tem laboratório próprio para fazer os testes de resistências. No passado, mais de 30 clínicos, muitos sem experiência, prescreveram ARV, hoje ainda há 17 médicos para 1.000 doentes com medicação, distribuídos por vários serviços.

2. Hospital Covões (CHC)
- Truvada: não está disponível
- Emtriva (FTC): não está disponível
- A.U.E. do tipranavir: não há acesso, alegando não utilizarem medicamentos sem A.I.M.

3. Hospital Cascais
- Reyataz (atazanavir): não está disponível
- Não há ninguém a fazer Tipranavir no programa de acesso alargado

4. Hospital Amadora-Sintra
- Não há acesso ao Tipranavir
- Houve rumores de recusa de doentes, demissões alegadamente relacionadas com normas internas de restrição de prescrição de testes de monitorização de terapêuticas inaceitáveis, quando a Abraço pediu esclarecimentos instauraram um processo na Ordem dos Médicos contra a responsável de então.

5. Hospital Coimbra (HUC)
- A.U.E. do tipranavir: recusaram, alegando não utilizarem medicamentos sem A.I.M.
Prof. Meliço-Silvestre diz estar a favor mas a C.A. estar contra.

6. Outros hospitais que não responderam sobre A.U.E. do tipranavir:
H. Faro
H. Portimão
H. Capuchos/Desterro
H. Pulido Valente
H. Gaia

7. Outros hospitais que não disponibilizam atazanavir:
H. Reynaldo Santos
H. Évora
H. Guimarães
H. Vila Real
H. Portalegre
H. Funchal

8. Qualidade de prescrição

Alguns especialistas em resistências (por exemplo, Dr. Ricardo Camacho) têm declarado que em Portugal a progressão de doentes para multi-resistências tem um padrão pior que no resto da Europa, mais rápida e com menor número de regimes terapêuticos diferentes.
Portugal é ainda o único país da Europa a 15 em que a primeira causa de morte entre os 25-39 anos é a SIDA.
O número estimado de doentes que, com base nos testes de resistências, têm indicações para medicamentos novos é sempre várias vezes superior ao que depois, na realidade se verifica.
Por exemplo, sempre que há um programa de acesso alargado na Europa os números de doentes que entram são sempre muito inferiores, em termos relativos ao dos outros países.
Em Espanha há cerca de 600 doentes a fazer Tipranavir, em Portugal cerca de 30?
Outro problema é a prescrição sequencial de monoterapias funcionais, o que diminui drasticamente o tempo útil de eficácia de um medicamento.
Outro problema ainda é o tempo de espera entre ter indicação para mudar de tratamento e o acesso, que leva a que muitos doentes só tenham acesso ao tratamento quando muito comprometidos e tarde demais.

9. Acesso extremamente limitado a meios auxiliares, testes de monitorização TDM, correntes na Europa

Comments:
Antes de mais nada tenho que agradecer á direcção do GAT por denunciar situações destas.
Agora vamos falar da vaca gorda...não admira que Portugal seja o país da União Europeia com maior taxa de óbitos devido ao virús da sida pois com as administrações dos hospitais a proceder desta maneira o resultado não poderia ser outro.
Como é possível que situações destas aconteçam num país que enche os peito de ar a dizer que pertence á União Europeia e que no entanto vive na realidade como se fosse um país de 3º mundo...senão vejamos...que outro país da União Europeia tem o salário minímo de 350.00€? que outro país da União Europeia paga pensões aos reformados por invalidez (por HIV-SIDA) no valor aproximado de 150.00€?que outro país da União Europeia têm falta de retrovirais de terapia para HIV-SIDA?
Pois com estes procedimentos fazem com que pense que o estado Português quer mesmo é que os doentes de HIV-SIDA morram todos e bem depressa....mas espero que o estado não se esqueça de uma coisa...A SIDA é um problema de saúde pública e não acontece só aos outros.
 
Algo preocupante, entre outras coisas,é haver 30 médicos, muitos sem experiência, creio no tratamento a doentes seropositivos.
Andamos a brincar ou vão perguntar aos colegas o que devem receitar a certo "Freguês" que apareça por lá.
Sendo o 2º hospital no país em numero de doentes com HIV,e com falta de medicamentos devido a processos administrativos,parece mesmo que estamos numa zona carenciada de um país sub-desenvolvido de África, já que na Europa nos podemos considerar como tal.
 
No comentário anterior refewria-me ao Hospital Curry Cabral em Lisboa
 
Muito sinceramente só posso dizer sem cumentarios , olham para nós como encargo ,tipo fardo quer a nivel hospitalar quer a nivel social , tem qque haver maneira de conseguir inverter e conseguir apoiio para nossa causa , pois só queremos o Tal direito a Vida de que tantas vezes se fala ; até em outras questões bem mais politicas ,o Direito a Vida que Existe na nossa constituição e em todos os tratados internacionais de que somos signatarios .
Utilisando um velho ditado popular
« são todos bons cristãos ,são e pouco praticantes »
Um abraço e força a todos os que querem mudar o rumo que nos querem traçar , sem nos quererem ouvir.
 
posso acrescentar que no hospital de santa maria me foi recusada a primeira consulta no dia e hora da mesma, já depois de marcada com uma semana de antecedência.
Refiro ainda um caso no hospital curry cabral, de manutenção de terapeutica durante cerca de um ano, mesmo com aumento de cópias na ordem dos milhares. São só mais duas situações que pude testemunhar na forma como a saúde e em particular a infecção por hiv é tratada em portugal.
 
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